Arquivo | janeiro, 2010

Panôcorpos

13 jan

Representações plásticas e cênicas dos projetos de pesquisas. Os panôcorpos são isto. Quero inaugurar oficialmente este blog com algumas imagens dos panôcorpos produzidos ao longo da semana passada. Infelizmente, não tenho fotos do início do processo, muitas já mostram resultados prontos. É o meu caso. Sofri e senti muito prazer fazendo meu “panô”, como o apelidamos carinhosamente. Qualquer semelhança com minha relação com a linguagem do clown não é mera coincidência. Conforme o construía, só pensava em ser sincera, implicar-me no processo e imprimr o universo da rua e do meu clown pessoal.

Pintei cada área com meu próprio corpo. Às vezes usei as mãos, outras os pés, joelhos, perna, cotovelo, antebraço… Se não fosse tão alérgica, teria usado meu rosto também. Acalme-se, Andréa! É para se implicar, se doar, não se prejudicar. Também eu costurei a mão todos os retalhos. E nesse caminho de implicação cada vez maior, sentia que o panô precisava estar cada vez mais em mim e eu nele, permitindo trocas, desterritorializações, reterritorializações.

Pois decidi, após muito me sujar pintando e cansar de costurar, vestir minha palhaça com o panô, que acabou virando um todo com o corpo da Bilazinha trajando-o. Tal como penso que a rua faz com ela, e a palhaça com a rua: se entranham, se misturam, se reconfiguram. A palhaça ganhou uma roupa, que tem, para mim, a cara da rua. É disforme, rizomática. Por ela circulam diversos arranjos de cores e tecidos, que podem ser recombinados de qualquer forma (alguns pedaços foram recortados e costurados em outro lugar, sem prejuízo do resto). Asfalto, violência, imaginário, meu nariz de palhaça. Está tudo lá. Acabo descobrindo também que eu mesma posso fazer roupas para Bilazinha.

Observem as fotos, degustem de nosso processo.

Um diário de pesquisa

7 jan

Convenceram-me. Caí na rede e já fui por ela contaminada. Este espaço quer me contaminar ainda mais. E o pior: quer contaminar você. Mas com que, afinal? Com arte, estados de arte pelos quais tenho passado durante a especialização em Estudos Contemporâneos do Corpo, da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará. Não só isso. O blog quer comunicar-se com outros estados de arte. O blog ou eu? Eu sou Andréa Flores, terapeuta ocupacional, atriz, aspirante a palhaça. Aspirante. Adoro me contaminar.

Posso ser Bilazinha da Mamãe, minha palhaça assanhada, que anda perambulando por aí, pelas ruas. E é justamente sobre a relação do palhaço com a rua que desejo debruçar-me, entranhar-me, ao longo da pós-graduação. O blog comunica meu processo, como um diário de pesquisa, aberto, atravessado pelo mundo.

Sejam todos bem vindos! Comentem, opinem ou, simplesmente, contaminem-se e permitam que eu o faça também.