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Clown ou Palhaço?

15 jan

Qual o termo mais correto afinal?

Concordo com Ferracini (2006): essa é uma discussão inútil.

Não há necessidade, a meu ver, de procurar diferenciações entre termos tão intimamente relacionados, gerando uma espécie de “divisão de classe” entre os artistas cômicos.

Tenho usado os termos clown e palhaço livremente ao longo da pesquisa, sem distinção. Concordo com Maués (2004) e Burnier (2009) quanto à similitude dos termos, já que, embora com origens distintas, ambos designam o mesmo personagem popular, independente de roupas, local de atuação, presença ou não do nariz vermelho.

Bolognesi (2003) explica que o termo clown é uma palavra inglesa, cuja matriz etimológica reporta a colonus e clod. Este termo tem o sentido de homem rústico, do campo, mas também de desajeitado, grosseiro. Na pantomima inglesa, o clown era o cômico principal, com funções de um serviçal, enquanto no universo circense trata-se do artista cômico que realiza cenas curtas , explorando uma característica de excêntrica tolice.

O autor acrescenta que, no Brasil, aparece o termo crom, com referência ao artista que tem a função de palhaço secundário ou partner, operando como contraponto  preparatório às piadas do palhaço principal. Este termo palhaço, por sua vez, é, em nosso país, um equivalente do Augusto, o tipo bobo, emotivo, ingênuo, perdedor. No entanto, engloba também outros tipos e pode fundir-se ao clown.

Há, ainda, a explicação de Castro (2005) quanto à origem do termo palhaço como derivado do nome italiano Pagliacci, personagem da comédia dell’arte também chamado de Zanni, servo estúpido, que se vestia com roupa listrada, de tecido grosso, como o tecido que revestia colchões com enchimento de palha (paglia, em italiano). Em italiano e em português, pagliacci e palhaço significam a mesma coisa que clown em inglês.

Como uma irônica referência à origem do termo, fui desajeitada desde os primeiros passos de descoberta de minha palhaça. Mas isto é um detalhe…

Acredito que falamos a mesma linguagem usando clown ou palhaço ao nos referirmos a esse ser, dilatação de nós mesmos, que nos ensina sobre a fraqueza e o risório do ser humano.

Vejam o que andei lendo:

BOLOGNESI, Mario Fernando. Palhaços. São Paulo: Editora Unesp, 2003.

BURNIER, Luis Otávio. A arte de ator: da técnica à representação. 2 ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.

CASTRO, Alice Viveiros de. O elogio da bobagem: palhaços no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Família Bastos, 2005.

FERRACINI, Renato. As setas longas do palhaço. Revista Sala Preta: nº 6, 2006.

MAUÉS, Marton Sérgio Moreira. Palhaços Trovadores: uma história cheia de graça. 2004. 132f. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2004.

 

Clown me in! (Me inclua na palhaçada)

23 jul
Idea

Idea

Belém está fervilhando. O VII Congresso Mundial do Idea trouxe à cidade o mundo inteiro. Já conversei com coreanos, palestinos, dinamarqueses, sul africanos… Uma Babel harmônica, se for possível. Tive a oportunidade de participar de um Workshop de clown interessante e, no mínimo, revigorante. Chama-se Clown me in (me inclua na palhaçada, como foi traduzido no evento, mas não gostei desta tradução) e foi ministrado por Gaby e Sabine, duas artistas que ministram este workshop pelo mundo, pautadas sobre os estudos de Jacques Lecoq. Nenhuma novidade no que diz respeito aos princípios que eu já conhecia. Os jogos, porém, muitos deles novos para mim, foram excelentes para aperfeiçoar a arte e relembrar que o palhaço está em nós mesmos, é fruto da nossa sinceridade em nos expôr, mostrar o ridículo que há em todos nós, desnudado.

Aqui vai o blog onde elas divulgam o trabalho, com vídeos e fotos para quem quiser dar uma olhada: www.clownmein.com