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Conversas com Wlad Lima

21 jan

Wlad Lima, minha orientadora de longas conversas

Não tem jeito. A pesquisa continua mesmo. Estou afetada pelo meu desejo, ele pulsa, me obriga a ir adiante. Não sigo só. Tenho diversos companheiros, mas um deles tem sido fundamental para seguir em frente. Minha orientadora, Wlad Lima, comprou minha loucura e segue comigo com uma paciência invejável.

Tivemos orientação hoje. Conversamos um monte sobre paixões, teatro, família. Repassei os escritos que já tenho e as idéias para seguir pesquisando. Eis as orientações básicas que compartilhamos:

– Apropriar-me melhor dos conceitos, brincar com eles, entremeá-los. Pensando agora, esta sempre foi uma dificuldade pessoal. Agora é preciso voltar a enfrentá-la…

– Escrever o texto final. A brincadeira de fazer o texto pronto, como se fosse mesmo a versão final, preocupando-me com todas as partes e com a inserção da pesquisa de campo. Baita desafio. Vamos melhorar devagar o que for sendo escrito. Das fotos, cuidamos depois.

Longa conversa tivemos hoje. Muito trabalho pela frente. Quem caminha junto, no entanto, tem menos probabilidade de se perder.

Mãos a obra!

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Sorteia no saco e vai!

27 jul

Foi o que ouvi do Cláudio Dídima, amigo de turma da especialização, palhaço, ator, maquiador…tanta coisa!  Enquanto expunha o estado em que minha pesquisa se encontra, submetendo à avaliação da turma de pós graduação, da professora Lia Braga e da minha orientadora (queridíssima Wlad Lima, grande parceira), o Dídima soltou uma pérola, que me deixou inquieta. Trata-se de sua história pessoal como palhaço, onde se inscreve um método de sair pela rua. Sortei-no-saco-e-vai!

Sua avó escrevia em diversos papéis alguns lugares aleatórios pela cidade. Depois, colocava-os dentro de um saco plástico, remexia, e pedia a cada um de seus netos que sorteassem um papel. O local sorteado determinava para onde iriam, vestidos de palhaço, naquele dia. E eles iam! Às vezes, até se arrumavam na rua.

“Não sei se serve pra você, disse ele, mas acho que tu poderias fazer isso, escrever um monte de lugares no papel, sorteia no saco e vai! Pesquisa por lá. Sei lá, só uma idéia”.

Não, Claudinho, não é só uma idéia. Está girando na minha cabeça, me atravessando. Quem sabe se ainda conseguirei deixar para lá…

Quem sabe não fica? Quem sabe adapto (várias feiras, ao invés de vários lugares aleatórios?)? Quem sabe?

9 jun

De volta ao blog, depois de um longo e tenebroso inverno….

E com um texto que acaba de sair do forno, escrito por uma amiga do Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua, Jussara Trindade. Instigante, no mínimo, como disse a ela.

Concordo sobre a necessidade de referências estéticas próprias ao teatro de rua. Quanto mais específico for falar sobre o teatro que acontece na rua, mais nos reconheceremos em nosso fazer e o tornaremos reconhecido. Quem atua nesse lócus e é capaz de se reconhecer, se posiciona políticamente e consegue refletir de forma práxica sobre suas peculiaridades.
Aí vai o email:

 “Amigos do Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua,

 No último fim-de-semana (dias 05 e 06/06/10) estive na 1ª Mostra Regional de Artes Cênicas da FETEG (Federação de Teatro do Estado de Goiás), realizada na cidade de Jaraguá (GO). Tive o privilégio de participar do debate “Coletivos Cênicos – grupos, redes e núcleos de pesquisa” na mesa-redonda ao lado de Chico Pelúcio (Grupo Galpão), Licko Turle (Ta Na Rua) e o mediador Alexandre Silva Nunes (diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal de Goiás). Foi uma mostra que incluiu Dança e Circo, além do Teatro de Rua propriamente dito Este convite foi muito importante para o estreitamento das relações entre o Núcleo de Pesquisadores e a academia (no caso, a UFG) na região Centro-Oeste. Percebi um desejo de aproximação, de estabelecer contato e conhecer mais profundamente o “nosso objeto”. Tenho certeza de que colheremos frutos desse contato!

Mas, além de fazer este breve relato, eu gostaria de compartilhar com todos algumas coisas que reafirmam algumas das minhas mais profundas convicções, as quais se fortalecem em cada encontro de que participo, cada vez que me vejo na delicada tarefa de falar sobre o Núcleo e o teatro de rua. 

Foi o seguinte: fazia parte da programação do evento uma “charla” com os artistas dos grupos, após os espetáculos apresentados em cada dia. Mediando e comentando, dois acadêmicos de teatro. Nesse dia, eram “Hoje é domingo”, do Grupo Solo de Dança, que apresentou um saboroso espetáculo de dança-teatro (como eles mesmos designam), e “Balanço”, do Grupo Independente. Ambos de Goiânia. O primeiro, dirigido por Tuim, um dos atores do Nu Escuro (grupo do nosso querido parceiro Hélio Froes), sob uma lona de circo montada em frente à Igreja de Jaraguá, escancarou irreverência, com muita criatividade, música e comicidade, esbanjando o mais puro jogo cênico de rua – mesmo não adotando este “título”! O segundo, em palco italiano, um exercício pleno da representação teatral, do ator maduro – um solo dramático em que o personagem (um homossexual) confidencia, com o público, momentos marcantes de sua vida. Um primor de atuação, de trabalho corporal, de colocação da voz no palco (num dado momento de queda o microfone que usava parou de funcionar, mas o ator continuou sem problemas). Ou seja, dois espetáculos absolutamente opostos e excelentes, cada um ao seu modo. Fomos à charla…

Dois mediadores, acadêmicos de teatro (uma professora especialista em Laban, e o outro não lembro, acho que professor de Interpretação), iniciaram o debate. Depois que os dois grupos apresentaram um histórico de suas trajetórias, deu-se início aos comentários, estimulados pelos mediadores. Ambas as apresentações foram elogiadas etc etc, mas aos poucos evidenciou-se o maior interesse (dos mediadores e da platéia) no trabalho do ator e, portanto, do espetáculo “Balanço”. O grupo de Dança ficou praticamente esquecido, ouvindo os elogios dirigidos ao ator, e as respostas deste às várias perguntas sobre sua formação no Odin Teatre, sua pesquisa de linguagem corporal com as danças dos Orixás, etc. Apenas quando um dos organizadores sinalizou para o horário de encerrar a “charla” é que a mediadora virou-se e perguntou para os dançarinos: “vocês querem falar alguma coisa?”

Fiquei pensativa com o acontecido. Num primeiro momento, poderia parecer preconceito, preferência ou alguma forma de elitismo, por parte da academia em relação ao espetáculo de natureza mais popular. Não descarto essa hipótese, mas penso também que essa é a resposta mais fácil. Na verdade, que referências têm os acadêmicos, para aprofundar as questões relacionadas ao teatro de rua, ou simplesmente aos espetáculos que fogem aos temas comuns da “dramaturgia”, do “trabalho de ator” etc? Ainda não construímos nossas próprias referências estéticas, mas acho que está aí a base que pode sustentar um discurso forte, “em pé de igualdade” com a academia. Aprofundando nossas pesquisas (de trabalho do ator, de dramaturgia, de relação com o espectador etc), poderá surgir um tipo de comentário próprio ao “nosso objeto”, que não se limite às noções tradicionais da semiologia teatral, já que esta foi construída tendo em vista o espetáculo de palco.

No dia seguinte, era isso o que eu tinha em mente e foi que disse aos presentes, durante a mesa-redonda: o objetivo do Núcleo de Pesquisadores é, além de registrar e documentar as experiências dos fazedores teatrais de rua, é a construção de um corpo teórico de conhecimentos para o teatro de rua, a partir dos seus próprios parâmetros!

Estou cada vez mais convicta disso, e vcs?

Abraço saudoso a tod@as,

Jussara Trindade”

Assino em baixo!

Direto da rede

27 maio
 

Palhaças lendo

O que é ser palhaço, afinal???

 
Recebi um email esta semana que me deixou feliz e intrigada. Veio diretamente de uma participante do Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua, grupo do qual participo via Yahoo grupos e no qual venho me integrando devagar. Divulguei o site da pesquisa por lá e recebi contribuições, incentivos e um apoio muito importante. O email que transcrevi aqui é de Jussara Trindade. Ela teceu questionamentos, os quais acredito que merecem ser discutidos aqui. Vejam:
 
“Oi, Andrea!
Li os seus textos sobre o “método flaneur” e o histórico da pesquisa e achei tudo muito bom. O universo do palhaço é ainda muito pouco pesquisado em profundidade e parece que essa é a sua intenção – vá em frente, porque aí tem muito, muito material pra pesquisa. As suas experiências têm um potencial enorme, há vários temas importantes que vc aborda e que merecem aprofundamento.
Por exemplo, quando vc descobre que o palhaço é um ator é super importante. O que te fez descobrir isso? E o que muda, depois disso? 
A questão da formação do ator palhaço também; como se “ensina” alguém a ser palhaço? Pode ter toda aquelas técnicas, que podem ser treinadas e tal, mas o que vc sentiu na rua (naquele exercício que vc descreve) é essencial, um aprendizado que passa por outros lugares do ser, para além de qualquer técnica.
É maravilhoso que haja pesquisadores que, como vc fez, tenham a coragem (mesmo com o medo que vc relata) de se desnudar diante do público – mas, principalmente, diante dos seus pares – ou seja, para nós, seus companheiros de teatro! 
Quero te parabenizar e te incentivar a prosseguir as suas pesquisas, que são da maior importância pra todos do teatro de rua. E também sugiro que vc use os seus conhecimentos de terapeuta pra fundamentar teoricamente os sentimentos que afloram no trabalho do palhaço (claro, só depois de viver tudo o que tem que ser vivido, sem a cabeça atrapalhando. ..)
Bjs,
Jussara Trindade”
 
Que presente você me deu, Jussara!
O palhaço é um ator…. Como escrevi no Histórico da pesquisa, passei por um absoluto encantamento diante dos Palhaços Trovadores, grupo onde constatei essa realidade. Não só porque eu já gostava de palhaços, mas principalmente porque a figura do palhaço ficou mais próxima de mim. Por detrás do nariz, estava gente de teatro, que eu conhecia.
Entendi o palhaço como ator porque compreendi que aquela arte podia ser aprendida, era fruto de trabalho e esforço. Além disso, já havia conhecido o treinamento necessário para usar uma máscara e entendido que ela exige um aperfeiçoamento de quem usa. Quando soube que o nariz de palhaço é a menor máscara do mundo, comecei a enxergar também a pessoa por detrás dela, o trabalho para usá-la e a transformação em um personagem, que, na verdade, não é personagem, é a dilatação do próprio ator, ele em exagero.
Não sei se todo palhaço é ator. Palhaço é palhaço. Tenho minhas dúvidas se o palhaço é ator, sempre. Palhaços não precisa ser ensinado para existir. As técnicas são acessórios, só isso. Se não, o palhaços de circo que conheci e aqueles que povoaram meu imaginário não seriam palhaços- imagino que poucos deles ou nenhum fez escola de teatro, se bem conheço a tradição circense. Contudo, não posso dizer que não há um trabalho por detrás da máscara, porque creio que ele sempre existe. Um trabalho que significa aprendizado, às vezes instintivo, às vezes por tradição, e que exige um esforço de quem está por detrás do nariz. Isso sempre ocorre, consciente ou não, com qualquer um, imagino eu.
Eu nos chamo a todos de artistas. 
Agora, existem atores palhaços. E isso muda para mim porque, como disse anteriormente, os aproxima da minha realidade. Compreendo também que algumas teorias que aprendi sobre o teatro valem para o palhaço também. Outras, não. Ele tem regras próprias. Fica valendo, porém, o que entendo que seja trabalho do ator para os atores que desejam, como eu, ser palhaços: suor, treino, aprendizado de sua arte.
E, de fato, ninguém “ensina” outro a ser palhaço. Isso, eu penso que a gente descobre. Quem dera alguém pudesse ter me ensinado tudo o que preciso! Não seria o projeto de palhaça que sou, já teria aprendido o que sei que levarei anos para descobrir e faria qualquer um rir com a simples aplicação de técnicas…. Seria bem menos apaixonante, também.
As técnicas são meros acessórios, apetrechos, que podem ajudar, se quisermos. Mas também se não quisermos não precisa. Vamos criar nossas próprias regras, decorrente da descoberta e do prazer de ser palhaço.
Sim, no fundo é isso. Brincar, sentir prazer na arte. Se isso inclui a técnica, ótimo. Eu acho que elas me ajudam bastante, as técnicas viram parte de uma grande brincadeira que vivencio na rua…. Mas se não inclui, o que julgo super normal, é bom amassar e jogar fora ou guardar numa prateleira, até que sirva.
 
Obrigada, Jussara. Você me fez pensar um tantão e ainda me dá a sensação maravilhosa de que tem gente por perto. Sempre bom, sempre bem vindo. 😉

Sugestões, contribuições, sempre bem vindas!

25 maio
Querido e amado mestre

Marton Maués ou Tilinho, seu clown

Na última sexta-feira, dia 21/05, recebi um email de um amigo sempre próximo, esteja onde estiver, com sugestões interessantíssimas para a pesquisa. Antes de expôr aqui, preciso dizer que Marton Maués é um parceirão, desde que comecei a fazer teatro. Obrigada, querido e amado mestre! rsrs

Aqui vai o email que escreveu para mim, diretamente lá das terras de Salvador:

“pretinha, que saudade. li seu novo blog e adorei. escrevi um texto enorme, com muitas sugestões e adivinha? deu um bug e apagou td o meu texto, não egistarndo o comentário que, claro, não havia copiado. fiquei putz!
mas, claro, sem tda a poesia que te escevi, aqui vão as sugestões para tua pesquisa.
1. acho que vc tem que fazer estas idas periódicas ao ver-o-peso, tipo marcar um dia x, tda a semana, em horário y. tornar isso uma rotina durante um tempo.
2. com isso muitas coisas vão pintar e vc ir incorporando isso ao trabalho, criando coisinhas, jogos, “vestindo” o personagem de gags, traks e truks.
3. registrar td, mas tem que ser muito  discreta. se vc observar bem, muito da timidez das pessoas deve ser motivada pelo fato deter alguém muito próximo fotografando. algumas vezes é melhor não registrar, primeiramente. ir fazendo isso bem discretamente.
depois vc terá um corpus bem interessante para sua pesquisa. um locus maravilhoso, o ver-o-peso e por aí vai. […]
parabéns.
qq coisa mais me pergunte.
bjão.
mm”

Encaminhei as sugestões para minha orientadora, Wlad Lima, também parceirona neste processo. De antemão, no entanto, gosto muito do que ele sugeriu. Há prós e contras, mas vou destacar aqui o que mais me chamou atenção. Tornar as visitas da palhaça um hábito no Ver-O-Peso, com dia e horário definidos, pode criar uma expectativa nas pessoas, que se acostumarão à sua presença. Além disso, estarei cada vez mais misturada com aquele lócus tão rico em possibilidades. A interação pode melhorar, crescer, quem sabe instaurar um fato de cultura ali? A palhaça vai aprendendo sobre os tipos de lá, as gags que funcionam, as formas de se aproximar…Bingo! Minha palhaça afetada pela rua e vice-versa.

Quanto aos registros, bem, é importantíssimo que aconteçam. Há uma pesquisadora nisso tudo, querendo analisar dados e expôr resultados ao final. No entanto, as fotos, de fato, podem provocar timidez. Perguntei ao Marton o que achava sobre isso e ele me respondeu que, se não fosse possível fotografar…

“registre na sua pele, dermes e epidermes, nos seus neurônios,  seu coração, nos seus nervos, músculos, retinas, adrenalinas, veias, vísceras, cartilagens e ossos, em tdas as suas células, em td o seu ser. o corpo é memória e memória é registro.”

Acho que encontrei um b0m caminho. Obrigada, de novo, MM! Visitem www.unha-de-fome.spaceblog.com.br e confiram as palhaçadas dele por lá!