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Pelas Ruas da Cidade

25 jan

Em meus passeios pela Rede de Pesquisadores em Teatro de Rua, da qual estive afastada por longo período, mas retornei com todo gás, encontrei uma jóia. Trata-se do relato de Richard Riguetti, do Grupo Off-Sina, do Rio de Janeiro. Em uma empreitada do Projeto Pelas Ruas da Cidade, o grupoe esteve em duas cidades do interior do Rio de Janeiro, fazendo teatro de rua. O relato, divulgado na rede, é interessantíssimo e, embora não tenha pedido autorização para publicá-lo aqui, não pude evitar. Parabéns ao grupo Off-Sina e desculpem a intromissão…

Vejam, abaixo, o que diz quem passa por esse campo de intensidades que é a rua.  

“Olá companheiros e companheiras,

 O Projeto Pelas Ruas da Cidade, do Off-Sina, circulou por 2 cidades da Baixada, nesse final de semana.

A primeira cidade foi Japeri, com apenas 10 anos de existência, foi fundada em 30 de junho de 1991. Desde então, a localidade tem experimentado os desafios da autonomia política. Os prefeitos e as legislaturas que governaram o município não conseguiram barrar o crescimento desordenado, prevalecendo ainda problemas com trânsito, transporte, água e esgoto, habitação, e principalmente educação. Moradores apontam como causa principal dos problemas locais a inépcia para o interesse público e a corrupção. Com aproximadamente 102.000 habitantes, Japeri encontra-se quase a última estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Principal meio de transporte dos trabalhdores, que na sua maoiria trabalham fora da cidade. Transformando Japeri em uma cidade dormitório. É um dos piores Índices de Desenvovimento Humano, ocupando a 78º lugar, entre as 92 do Estado (Wikipédia).

O grupo convidado da cidade foi o Grupo Código que apresentou o espetáculo intitulado “O trem nosso de cada dia”.  Hoje é ponto de cultura e começou suas atividades tetrais com o Nós do Morro (com o Gutti do morro do Vidigal). A apresentação foi feita na Quadra do Bélem. E como tinha uma estrutura de palco feita de concreto, o grupo Código tinha pensado em se apresentar nele. Depois que colocamos o Circo Pinico Sem Tampa no chão, dentro da quadra, eles decidiram não fazer mais no palco e ai começou uma interação incrível entre o OFF-SINA e o CÓDIGO.

Com apenas 2 bancos de madeira simulando o vagão de trem , o grupo Código desenvolveu por 20 minutos uma cena com consistência dramaturgica, rara de ver hoje dia, pois o que se vê é a Egoturgia, um coletivo preparado e bem treinado, com um vies de humor ácido tão necessario nas condições em que a cidade se encontra (abandono total do poder público) e com muita criatividade. Combinamos de trazer o grupo em março para o Rio de Janeiro e apresentar em conjunto no Largo do Machado. Acretido que assim eles irão poder medir a força do teatro que eles estão fazendo. Embora não se considerem um fazedores de Teatro de Rua, ficaram bastante mobilizados em práticar mais essa linguagem, pois sentiram que podem potencializar as ações do grupo na cidade sede.

A segunda cidade foi Paracambi, a última estação de trem , depois de Japeri. Com 47 mil habitantes, a cidade é dormitório e tem o trem como principal meio de tranporte. Fica a 76 Km do Rio de Janeiro.Lá não encontramos nehum grupo de teatro de rua, entaõ optamos em convidar um Bloco de Carnaval Maluco Sonhador que realiza um trabalho com os usuários, familiares e amigos da Saúde Mental de Paracambi. Eles são visinhos do maior Hospital Psiquiatrico da America Latina, o Dr Eiras e como o regime agora é semi aberto, os usuários ficam pelas ruas da cidade. É de extrema importância social os serviços prestados pela Casa de Saúde em Paracambi, não só pelo atendimento médico hospitalar aos seus 1.600 internos, todos amparados pelo Sistema Único de Saúde ( SUS ), sendo 60% deles totalmente abandonados pelos parentes, sem nenhuma condição de retorno ao seio da família; mas também pelo fato da maior parte de seus 719 funcionários serem moradores de local, o que evidência a importância da criação de empregos diretos e indiretos gerados em função da Casa de Saúde.

A apresentação do espetáculo se deu em uma pequena faixa de grama entre o canal de esgoto aberto e a rua Jonas Leal, em frente ao Ponto de Cultura Maluco Sonhador. Mais de 100 pessoas acompanharam atentatamente a programação, sendo 80% eram pacientes do Dr. Eiras. Foi o dia do lançamento do samba enredo do Bloco Maluco Sonhador. E bota maluco nisso e bota sonhador na parada. Porque é tora!  Para nós do Off-Sina foi uma experiência e tanto estar tão proximo da loucura e do sonho em fazer dos pacientes, familiares e amigos uma ação de cidadania. Afinal, quem é louco?

No proximo final de semana vamos circular por Duque de Caxias e Nilópolis.

Pelas Ruas da Cidade – I Edição, é resultado de uma das lutas tavadas pela RBTR que conquistou o Edtial Artes de Rua, em 2008.

Vamos em frente que a Baixada é grande!

Abraços,

Richard Riguetti

Grupo Off-Sina”